Por Pamela — Lussaví
Esses dias, durante uma conversa despretensiosa com uma cliente da Lussaví, ouvi uma frase que permaneceu comigo pelo resto do dia. Ela falou com leveza, quase como quem comenta algo pequeno no meio da rotina, mas havia uma profundidade enorme escondida ali. “Às vezes eu sinto saudade de mim.” E, desde então, fiquei pensando em quantas mulheres carregam esse mesmo sentimento em silêncio, sem conseguir explicar exatamente quando começaram a se afastar de si mesmas.
Porque não acontece de uma vez. Não existe um momento exato em que a mulher deixa de se reconhecer. Isso vai acontecendo aos poucos, entre uma responsabilidade e outra, entre a correria do trabalho, os filhos, a casa, as preocupações e a necessidade constante de cuidar de tudo e de todos ao mesmo tempo. Primeiro, a gente começa adiando pequenas coisas, depois aprende a se colocar sempre por último, e quando percebe, os dias passam tão rápido que já não sobra espaço para perguntar como nós mesmas estamos de verdade.
E talvez o mais curioso seja que, olhando de fora, quase ninguém percebe. A mulher continua funcionando, continua resolvendo problemas, organizando a vida da família, lembrando de tudo, acolhendo todos ao redor. Ela segue forte, presente, eficiente. Mas existe um cansaço silencioso que vai se acumulando dentro dela, um tipo de exaustão que não aparece apenas no corpo. Aparece no olhar, na maneira como ela deixa de se enxergar com carinho, na sensação constante de que está vivendo para atender todas as demandas do mundo, menos as próprias.
Talvez seja exatamente por isso que eu nunca consegui enxergar o autocuidado apenas como estética ou vaidade. Ao longo desses anos com a Lussaví, percebi que muitas mulheres chegam até nós acreditando que procuram somente um creme, um sérum ou uma rotina de skincare mais eficaz. Mas, no fundo, muitas vezes o que elas realmente procuram é uma forma de voltar a se encontrar. Porque existe algo profundamente íntimo naquele momento da noite em que a casa finalmente desacelera, o banheiro fica em silêncio e ela consegue, por alguns minutos, cuidar do próprio rosto sem pressa.
Pode parecer um gesto simples para quem vê de fora, mas raramente é apenas isso. Às vezes, aquele pequeno ritual é o único instante do dia em que aquela mulher consegue lembrar que também merece atenção, também merece pausa, também merece cuidado. E eu acho bonito como, em meio a uma rotina tão intensa, algo aparentemente pequeno consegue se transformar em um reencontro silencioso consigo mesma.
A maternidade transforma a mulher em muitos sentidos. O corpo muda, a rotina muda, a forma de sentir o mundo muda, e a pele acaba carregando parte dessa história também. As noites mal dormidas aparecem no rosto, o estresse se reflete no espelho, e aos poucos muitas mulheres começam a olhar para si enxergando apenas o cansaço. Mas existe uma coisa que eu gostaria muito de lembrar neste Dia das Mães: aquela mulher que existia antes de todas as responsabilidades continua aí.
Ela continua viva nos sonhos que ainda tem, na vontade de se sentir bonita, feminina, forte, segura de si. Continua presente mesmo nos dias em que parece escondida atrás das obrigações e da correria. E talvez cuidar de si mesma seja justamente uma forma de não desaparecer completamente no meio de tudo isso. Não para buscar perfeição, juventude ou padrões impossíveis, mas para conseguir se olhar novamente com gentileza, reconhecendo a própria beleza sem culpa.
A verdade é que a Lussaví nasceu muito desse sentimento. Do desejo de criar mais do que dermocosméticos, criando pequenos momentos de pausa para mulheres reais, com vidas intensas e corações quase sempre divididos entre amar profundamente suas famílias e tentar não esquecer de si mesmas no caminho. Sempre acreditei que o skincare pode ser mais do que uma rotina; ele pode ser um ritual de presença, um lembrete diário de que a mulher que cuida de todos também merece ser cuidada.
Por isso, neste Dia das Mães, eu não queria desejar apenas um dia bonito. Queria desejar presença. Presença para se enxergar além da rotina, para se tratar com mais gentileza, para entender que amar a própria família profundamente não significa precisar desaparecer dentro da maternidade. Porque ser mãe é uma das formas mais bonitas de amor que existem, mas você continua merecendo receber esse amor também.
Com carinho,
Pamela
Lussaví Dermocosméticos



